PLUS SIZE: PARA SER DIVA, BASTA SER VOCÊ!

Por Jéssica Soares*

Como as mulheres gordas aos poucos conquistam seu espaço no mundo da moda e estão se tornando referência e ícones de beleza.

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#PlusIsEqual – Campanha da marca Lane Bryant © reprodução.

O termo Plus Size surgiu na metade do século XX, mas ganhou popularidade no inicio do século XXI, quando algumas marcas e estilistas resolveram investir num novo segmento, em resposta ao padrão de beleza extremamente magro, único valorizado pela moda até então.

O Plus Size refere-se às mulheres de “tamanho maior”, o que não caracteriza apenas o fato de ser mais gorda que o padrão estabelecido pelo mercado, mas também mulheres com mais curvas do que os corpos exageradamente esguios apresentados nas passarelas e que possuem, consequentemente, um manequim maior. Tal denominação, que até então era reconhecida para os manequins a partir do tamanho 46, hoje inclui mulheres que vestem até mesmo o tamanho 40.

Um exemplo disso é a modelo norte-americana Leah Kelley, que ficou famosa após posar para uma linha de moda praia da também modelo Robyn Lawley. Ao olhar Leah, que veste tamanho 12 nos EUA (o que no Brasil pode ser equivalente ao tamanho 40), a ideia que se tem é de que ela, na verdade, é bastante magra. Entretanto, a modelo foi considerada Plus Size.

Em entrevista a revista Elle, Leah mostrou que não se incomodava nem um pouco com a denominação, ao contrário, defendendo a diversidade da moda, afirmou: “Quero que as pessoas digam ‘Olhe para a Leah Kelley, ela está ótima!’ Modelos não são manequins de plástico. As marcas deveriam nos escolher pela nossa personalidade, também.”

Tess Holliday

Imagens © reprodução.

E personalidade é algo que não falta para a modelo do Mississipi Ryann Houven, 29, mais conhecida como Tess Holliday. Tess iniciou sua carreira em 2010, após ser descoberta por um produtor que encontrou seu perfil no site Model Mayhem e a convidou para ser rosto de um comercial do canal A&E. Com o passar dos anos, surgiram alguns pequenos trabalhos, mas foi através das redes sociais que os holofotes se voltaram para Tess Munster (nome o qual a tornou conhecida nas redes sociais). Seus 118 kg distribuídos por 1,61 m de altura, tornam-se irrelevantes, quando comparados à atitude que ela transmite sem nenhum esforço.

Manequim tamanho 56, feminista assumida, colecionadora de tatuagens e dona de um olhar que transpira auto estima e segurança, Tess Holliday ultrapassou os padrões estabelecidos até mesmo pela indústria Plus Size. Ela foi matéria no jornal britânico Daily Mail, nomeada pela revista Vogue Itália uma das Plus Size mais influentes do mundo e tornou-se a primeira mulher de seu tamanho a fechar um contrato com uma grande agência, quando se juntou ao casting da britânica Milk Model Management, uma das maiores do mundo.

Carisma, personalidade e muito amor próprio, esses são os principais ingredientes do sucesso de Tess. E ainda que seus perfis nas redes sociais sejam alvos de comentários maldosos e ultrapassados e que alguns considerem a modelo um mau exemplo por sua forma física, Tess Holliday hoje tem mais de um milhão de admiradores e utiliza seu trabalho para dar um chega pra lá no preconceito. Não que ela se importe com a opinião alheia, afinal, como ela diz: “As pessoas deveriam se importar com suas próprias vidas. A realidade é que eu sou gorda. É uma palavra. É um adjetivo. E eu não me importo.”

Fluvia Lacerda

Imagens © reprodução

No cenário nacional, é impossível não destacar a história de Fluvia Lacerda, a brasileira que se tornou uma referência do segmento e teve sua ascensão profissional comparada à top model Gisele Bündchen.

Fluvia sonhava em ser tradutora, quando se mudou para os EUA aos 14 anos, com o objetivo de estudar inglês e outros idiomas. Porém, sua família que ainda morava no Brasil passava por problemas financeiros e ela desistiu do antigo sonho para ajudar nas despesas familiares.

Tudo mudou em 2003 quando, Fluvia, na época trabalhando como babá, estava dentro de um ônibus em Nova York voltando para a casa e foi abordada por uma mulher, que se apresentou como editora de uma revista de moda. Questionada se já havia considerado a possibilidade de trabalhar como modelo, num primeiro momento ela até acreditou que se tratava de uma piada, já que seu corpo não se encaixava nos padrões da indústria fashion. Mas aquele era apenas o inicio de sua trajetória bem sucedida no mundo da moda.

Hoje aos 34 anos, Fluvia Lacerda é uma das modelos mais requisitadas e bem pagas do segmento Plus Size. Atualmente, a top model de 1,74 m de altura e manequim 48 é parte do casting da Ford Models EUA, uma das maiores agências do mundo, e a primeira entre as grandes a inserir modelos Plus Size em seu casting.

A top já apareceu em grandes revistas de moda como Vogue, Glamour, Latina, Bust e Plus Model Magazine, estrelou campanhas para marcas como a Torrid, Monif C., Igigi, Fashion Bug, Kmart, Carmakoma, Mar&Nua Barcelona, Venca, entre outras. Além de estampar as capas das revistas Vogue Itália e da Beautiful Magazine.

Fluvia é sim um ícone de beleza, mas antes de tudo é um exemplo de atitude e amor próprio. É como ela mesma diz “Todos nós temos uma genética particular e só nossa, que devemos respeitar […] o mais importante é o respeito ao nosso corpo, afinal, é o maior presente que Deus nos deu.”

Diversidade

Seguindo a linha da diversidade corporal, a marca de lingeries Adore Me chamou a atenção por incluir mulheres curvilíneas em seu catálogo.

Fundada no ano de 2011 em Nova York por Morgan Hermand-Waiche, a marca é bastante conhecida em terras norte-americanas e, sem dúvida, a Adore Me se destacou ao apostar em modelos Plus Size como rostos de seu comercial.

A grife criou três comerciais: o primeiro com modelos loiras, outro com modelos morenas e o último com uma modelo Plus Size morena. E para surpresa – ou nem tanto -, a aposta deu muito certo. A Adore Me quadruplicou seu número de vendas com o comercial estrelado pela modelo Plus Size Michelle Rudan.

Michelle Rudan para Adore Me © reprodução.

Após o comercial de grande sucesso, as atenções se voltaram para a Adore Me, que hoje é vista como uma futura concorrente para a Victoria’s Secret e continua apostando em Michelle e outras modelos Plus Size.

Atualmente, a principal representante do universo Plus Size é Ashley Graham, modelo norte-americana de 28 anos e de manequim 46, que se destacou após desfilar para sua própria linha de lingeries na semana de moda de Nova York do ano passado.

Ashley abriu o desfile de sua marca Ashley Graham Lingeries Collection e trouxe como tema para a passarela a celebração da diversidade do corpo feminino. Após o desfile a modelo deixou seu recado na passarela e nas redes sociais ao publicar uma de suas fotos durante o desfile com a legenda “I am strong, I am beautiful. #IAMSIZESEXY” – “Eu sou forte. Eu sou bonita, #EUSOUTAMANHOSEXY.”

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A modelo Ashley Graham © reprodução.

A top integra o casting IMG Models, que conta com nomes como Candice Swanepoel, Gigi Hadid, Kate Moss e Miranda Kerr. Estampou páginas das revistas Love, Vogue US, Harper’s Bazaar e Elle UK, foi capa da Maxim, além de se tornar a primeira Plus Size, a estampar a capa do anuário de swimsuit da Sports Illustrated.

E ela não parou por ai, Ashley contrariou também os padrões da indústria musical, que sempre utilizou modelos padrão Victoria’s Secret em seus videoclipes, e recentemente contracenou com o cantor Joe Jonas no clipe “Toothbrush”. A produção recebeu muitos elogios da crítica, mas os maiores elogios vieram em relação à escolha de Ashley e sua atuação.

Ideal de beleza

Mesmo que alguns homens e mulheres ainda possuam o ideal de beleza de um corpo magro e acreditem que para atingir a perfeição é preciso pesar pouco e ser mais alto que a média das pessoas, com o passar dos anos o segmento Plus Size vem conquistando seu espaço na cena fashion, invadindo as lojas, ganhando capas de revistas e passarelas com um pouco mais de frequência.

Ainda que muitas mulheres gordas tenham de lutar para serem representadas pela mídia, de forma geral, até hoje, Ashley Graham, Fluvia Lacerda, Leah Kelley, Michelle Rudan e Tess Holliday são alguns dos nomes que você vai continuar a ouvir falar por aí. Belos exemplos de que aquele antigo padrão de beleza, que para ser considerada linda era necessário vestir 36, é coisa do passado.

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Jéssica Soares é apaixonada por moda, uma paixão que vem desde os seus tempos de infância. Suas tias são modelistas e a avó gostava muito de costurar, por isso o affair com a área. Já aos quinze decidiu pela carreira na moda e depois do vestibular cursou no CES/JF Design de Moda por três anos, graduando-se em março de 2016.
O que ela mais gosta na moda? Escrever sobre ela. Não à toa Jéssica assina esse artigo e pretende especializar-se em Jornalismo de Moda. Sobre o tema, afirma: “o plus size deixou de ser só um termo para definir aquelas pessoas que não se enquadravam nos “tamanhos normais” e ganhou espaço no mercado. Como designer de moda, fico feliz em ver garotas que antes tinham certa vergonha por não ter o corpo perfeito sendo elas mesmas e conquistando seu espaço na moda e no mundo. Para ser bem sincera, posso dizer que sou uma dessas garotas.”

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Agradecimento especial: Helena Gomes de Sá, do blog Garotas Rosa Choque.

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