F.WORKS ENTREVISTA KAROL CONKA

ELA TOMBA TUDO

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2015 foi um ano importante para o movimento feminista, que entrou de sola em vários temas considerados tabus por grande parte da sociedade, trazendo para a roda discussões capazes de empoderar outras mulheres e engrossar ainda mais o coro de ativistas pela causa igualitária e contra os machistas – aqueles, que não passarão.

Nessa safra de mulheres maravilha, que soltam a voz em nosso favor, encontramos a capricorniana Karoline dos Santos de Oliveira, 29, mais conhecida como Karol Conka. Linda, carrega consigo cabelos cor de rosa chiclete, roupas coloridas, um sorriso no rosto e uma mensagem que cabe direitinho nos dias de hoje, nas letras que ela mesma compõe. “Chego e dou o papo sem massagem”, dispara a curitibana, em entrevista exclusiva para a Revista F.

RAINHA, NÉ, MORES?

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“Musa” e “rainha” são adjetivos fáceis de serem encontrados em sua fanpage, sublinhados em recados carinhosos de uma legião de fãs que clama pela presença da “mamacita” em suas respectivas cidades. Numa rolada de dedo no mouse, por exemplo, pude conferir muitos nomes de Juiz de Fora, que esperam ver e ouvir Karol de perto.

Ela começou a rimar cedo, entre os 6, 7 anos de idade. “Fazia poeminhas e mostrava para os meus pais. Com 16 anos, vi que isso era rap e divulgava entre os meus amigos da escola”, conta. Aos 17, Karol se apresentaria oficialmente como rapper para o público, em Curitiba.

Influenciada por Lauryn Hill e Missy Elliott, Karol hoje é um nome que puxa a fila de uma nova geração que está aí para provar que esse reduto do hip-hop, reconhecidamente machista e homofóbico, está ganhando novas vozes. É o caso de MC Soffia que, com apenas 11 anos, canta letras que querem calar o preconceito. Ou de Rico Dalassam, também rapper, homossexual assumido. Se você ainda não os conhece, vale googlar.

Conká despontou no cenário nacional em 2013 e hoje, em 2015, tem uma trajetória que já conta com um prêmio Multishow, um dos mais importantes do país, na categoria Artista Revelação. Ainda na bagagem, gigs internacionais, um álbum muito bem recebido pelo público e pela crítica e também singles que não desgrudaram dos nossos ouvidos desde que foram lançados. Sobre “Tombei” e outras novidades para 2016 – presença no Loolapalooza e lançamento de “Área Vip”, novo clipe em parceria com Boss in Drama -, conversei com a moça. Quer dizer, rainha, né, mores?

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Karol com o irmão, em Curitiba. @Divulgação

Raquel Gaudard – Como foi sua infância em Curitiba?

Karol Conká – Foi muito feliz, quando eu estava na minha casa e no condomínio, mas muito triste na escola.

R.G – A família sempre apoiou a sua carreira?

K.C – Minha família queria que eu tivesse um emprego tradicional, por não acreditar que eu pudesse ser artista, por ser moradora de Curitiba e de família pobre.

R.G – E hoje em dia, se vê fazendo outra coisa?

K.C – Não, desde que eu nasci nunca me vi fazendo outra coisa a não ser subir no palco e falar o que estava passando na minha cabeça. E eu era chamada de louca por isso, porque eu preferia morrer a ter de fazer outra coisa da vida.

R.G – Sobre o que prefere escrever ou cantar?

K.C – Não tenho um tema preferido, gosto de falar o que estou sentindo, daquilo que eu tenha necessidade de jogar pra fora.

R.G – “Batuk Freak” foi um álbum muito bem recebido. Mas você acredita que “Tombei” foi um divisor de águas na sua carreira?

K.C – Não acho que “Tombei” seja um divisor, mas um salto maior. Eu quis expandir, explodir pra outros lados, falar com outros públicos.

R.G – E como é ser rainha num meio notoriamente machista e homofóbico, como o do rap?

K.C – É desafiador e, ao mesmo tempo, interessante pra mim, que gosto de me aventurar. Eu vejo muito como aventura, chego e dou o papo “sem massagem”. Acabo ganhando respeito, desagradando alguns, mas são coisas que precisam ser ditas, exatamente para mudar esse cenário. O rap é visto dessa maneira, como se fosse difícil falar ali naquele meio, alcançar as pessoas. O rap precisa acordar, ele precisa receber a verdade na cara dele. Então, que ele escute isso de alguém que faz rap, de dentro. Hoje é muito desafiador, interessante e excitante fazer rap, porque sei que tenho voz e que não estou sozinha.

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R.GComo foi recebida pelo público no exterior? É como no Brasil?

K.C – Sabe, o que me deixou muito surpresa é que as pessoas estavam com o mesmo calor das pessoas do Brasil, pulavam, cantavam… Lá eu era uma artista brasileira que eles nunca tinham visto ao vivo, e me viam como um diamante brasileiro saltitante, dançando na frente deles. Eu fui recebida assim em todos os lugares. Quando eu cheguei na BBC One, não sabia que eu tinha sido a primeira brasileira a cantar lá… E fiz isso com muito pé no chão, muito feliz. Eu senti saudade deles esse ano, porque é muito gostoso ser valorizado por todos. Quando eu voltei pro Brasil senti esse impacto no público daqui, que me recebeu com muito orgulho.

R.GNas redes sociais, a resposta que vemos do público é sempre cheia de carinho e adjetivos como “maravilhosa” e “rainha”. É sempre assim ou você também enfrenta comentários racistas ou machistas? Como lida com essa gente?

K.C – Eu recebo comentários racistas e machistas sim, mas são muito poucos, porque eu não represento uma ameaça pra eles. Eu simplesmente ignoro. Dependendo do grau da loucura da pessoa, eu procuro meu advogado.

R.G – Sobre novidades para o final de 2015 e para 2016: “Área Vip” e Lollapalooza – a turma parece bem ansiosa para o novo clipe e pela sua participação no evento. O que mais vem por aí?

K.CEstamos lançando um single novo ainda esse ano e ano que vem tem clipe, álbum, projetos sociais… Podem esperar muita coisa!

R.G – Impossível não perguntar, seus fãs de Juiz de Fora me matariam: quando vai rolar um show por aqui? Gostaria de deixar um recado para a turma?

K.CEspero que em breve! JF, amo vocês e estou louca pra ir praí tombar tudo!

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Então vem, Karol, estamos te esperando!

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