PITACOS – OSCAR 2015

Por Danielle Magno

E lá vamos nós, com os pitacos do Oscar, num ano que a crítica está dividida e o público, bem, o público nem foi ver parte dos indicados. Não é a primeira vez que crítica e público ficam em caminhos distantes. As principais premiações, Golden Globes, SAG Awards e BAFTA também ficaram divididas. Tudo fica imprevisível? Nem tanto. Mas vale destacar que o cinema independente americano está representado no prêmio mais importante da indústria. Este ano o Oscar foi acusado de não levar em consideração a diversidade. Questionamento que acho justíssimo. Basta ver a esnobada colossal de Selma, nas outras indicações.

Fonte da lista dos indicados – O Globo

Melhor filme
“Sniper americano”
“Birdman”
“Boyhood: Da infância à juventude”
“O grande hotel Budapeste”
“O jogo da imitação”
“Selma”
“A teoria de tudo”
“Whiplash”

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Cena de Selma. ©Reprodução.

Em tese, dois filmes estão realmente no páreo. Boyhood, que conta a saga de um menino e sua família por 12 anos, filmado exatamente no período que corresponde a história. Por si só já é uma ideia bacana e mostra a dedicação do elenco, não é um roteiro que tenha reviravoltas, é apenas isso, uma família e suas transformações ao longo destes 12 anos. Claro que se nota a mudança física, principalmente no garoto. Um belo filme, simples, mas tocante. Já Birdman é uma bobagem chata e pretensiosa com a nada sútil referência aos tempos de Michael Keaton como Batman. Ele interpreta um ator em decadência que vive sob a sombra do seu único, e um fardo, sucesso, o Birdman. O grande mérito do filme é nos dar a impressão de que é feito num único take, contínuo, o que realmente dá fluidez a narrativa. Claro, trata-se de uma montagem “invisível”, mas bem eficiente. Fiquei absolutamente surpreendida por Sniper Americano, esperava uma patriotada, mas Bradley Cooper e Clint Eastwood (não indicado a direção) fizeram um bom trabalho e vale a pena ver com mente aberta. Selma é sobre cidade americana onde aconteceram as principais batalhas pelos direitos civis dos afro-americanos, inclusive a famosa marcha que foi repreendida de forma violenta pela polícia. Também é um dos filmes esnobados do ano, já que David Oyelowo, que interpreta de forma magnética Martin Luther King, foi ignorado. Como no ano passado 12 Anos de escravidão levou o prêmio, talvez a Academia achou que já fez muito. Selma é um dos que vocês não deveriam mesmo perder, uma aula de história. O meu favorito, na verdade, não possui grandes chances, Grande Hotel Budapeste é uma comédia, gênero que a Academia não gosta de dar seu principal prêmio.

Melhor diretor
Alejandro Gonzáles Iñárritu (“Birdman”)
Richard Linklater (“Boyhood”)
Bennett Miller (“Foxcatcher: Uma história que chocou o mundo”)
Wes Anderson (“O grande hotel Budapeste”)
Morten Tyldum (“O jogo da imitação”)

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Richard Linklater. © Reprodução.

Lembrando, mais uma vez, que a Academia não se importa em “casar” as premiações de diretor e filme, assim, levar filme, pode não levar direção. Mas acho que este ano Boyhood e seu diretor levam a dobradinha.

Melhor ator
Steve Carell (“Foxcatcher”)
Bradley Cooper (“Sniper americano”)
Benedict Cumberbatch (“O jogo da imitação”)
Michael Keaton (“Birdman”)
Eddie Redmayne (“A teoria de tudo”)

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Michael Keaton em Birdman. ©Reprodução.

Michael Keaton vem forte, e não posso ser injusta, ele é única coisa que me fez ver o filme até o final. Está muito bem, já levou vários prêmios por essa atuação e é o nome a ser superado, quem sabe, por Eddie Redmayne e sua transformação física em A Teoria de Tudo. Não vejo outros nomes com chances, apesar de aqui não ser nenhum crime quem levar.

Melhor ator coadjuvante
Robert Duvall (“O juiz”)
Ethan Hawke (“Boyhood”)
Edward Norton (“Birdman”)
Mark Ruffalo (“Foxcatcher”)
JK Simmons (“Whiplash”)

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JK Simmons em Whiplash. ©Reprodução.

JK Simmons leva por Whiplash, que aliás é um grande filme. Espero mesmo que Norton e sua atuação afetada não contamine os votantes. Porque olha, que histrionismo.

Melhor atriz
Marion Cotillard (“Dois dias, uma noite”)
Felicity Jones (“A teoria de tudo”)
Julianne Moore (“Para sempre Alice”)
Rosamund Pike (“Garota exemplar”)
Reese Witherspoon (“Livre”)

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Marion Cotillard, em Dois Dias, Uma Noite. ©Reprodução.

Disseram que Jennifer Aniston perdeu sua indicação por Cake graças a entrada de Marion Cotillard, já que ela não aparecia nas outras indicações de prêmios. Eu ri. Fia, menos. Mas a verdade, amigues, é que essa categoria está fraca. Felicity Jones? O que que é isso? Se o mundo for justo, Julianne Moore terá sua estatueta. Ou Cotillard. As outras moças ainda têm que comer muito arroz com feijão.

Melhor atriz coadjuvante
Patricia Arquette (“Boyhood”)
Laura Dern (“Livre”)
Keira Knightley (“O jogo da imitação”)
Emma Stone (“Birdman”)
Meryl Streep (“Caminhos da floresta”)

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Patricia Arquette e Ellar Coltrane em Boyhood. ©Reprodução.

Eu gosto bem da Emma Stone, mas essa bobagem de Bird só a fez arregalar mais ainda seus olhos. Meryl Streep está aqui por força do hábito e nunca é demais. Mas quem leva é a franca favorita Patricia Arquette.

 

Melhor filme em língua estrangeira
“Ida” (Polônia)
“Leviatã” (Rússia)
“Tangerines” (Estônia)
“Timbuktu” (Mauritânia)
“Relatos selvagens” (Argentina)

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Cena de Leviatã. ©Reprodução. 

Taí uma categoria que dá gosto. Geralmente essa é aquela que a gente deveria anotar todos e ver depois da forma que conseguir. Leviatã deve vencer. Mas meu coração bate forte por Darín e sua trupe em Relatos Selvagens.

 

Melhor documentário
“O sal da terra”
“CitizenFour”
“Finding Vivian Maier”
“Last days”
“Virunga”

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O cineasta Wim Wenders e o fotógrafo Sebastião Salgado em cena do documentário O Sal da Terra.

Essa categoria tem o representante “brasileiro”, Sal da Terra, sobre o fotográfo Sebastião Salgado. Mas não consegui ver nada.

 

Melhor figurino
Milena Canonero (“O grande hotel Budapeste”)
Mark Bridges (“Vício inerente”)
Colleen Atwood (“Caminhos da floresta”)
Anna B. Sheppard e Jane Clive (“Malévola”)
Jacqueline Durran (“Sr. Turner”)

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Cena de Caminhos da Floresta. ©Reprodução.

Quem viu Caminhos da Floresta sabe que apresentou um grande figurino, mas gosto demais da excentricidade de Grande Hotel Budapeste.


Melhor animação
“Operação Big Hero”
“Como treinar o seu dragão 2”
“Os Boxtrolls”
“Song of the sea”
“The Tale of the Princess Kaguya”

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Cena de Como Treinar seu Dragão. ©Reprodução.

Lego ficou de fora e os nerds não acreditaram. Adoro animação, mas não tenho favoritos, deve levar Como Treinar seu Dragão.

 

Melhor roteiro original
Alejandro G. Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris Jr. e Armando Bo (“Birdman”)
Richard Linklater (“Boyhood”)
E. Max Frye e Dan Futterman (“Foxcatcher”)
Wes Anderson e Hugo Guinness (“O grande hotel Budapeste”)
Dan Gilroy (“O Abutre”)

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Jake Gyllenhaal em ‘O abutre’ (Foto: Divulgação)

O Abutre foi o grande esnobado deste ano, se tiverem oportunidade não deixem de conferir esse grande filme, a história é incrível, e só ele e Grande hotel Budapeste mereciam levar. O mais fraco é justamente Birdman, porque amigos, o que há de original no filme é questionável até os ossos.

Melhor roteiro adaptado
Jason Hall (“Sniper americano”)
Graham Moore (“O jogo da imitação”)
Paul Thomas Anderson (“Vício inerente”)
Anthony McCarten (“A teoria de tudo”)
Damien Chazelle (“Whiplash”)

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Cena de Sniper Americano. ©Reprodução.

Sniper americano, ao contrário do que a gente poderia imaginar, não é aquela patriotada. E tem o grande mérito de transformar uma auto-biografia, com seus exageros e, não existem outras palavras, falta de verdade, em algo crível, tenso e uma boa reflexão sobre os homens preparados para matar. Na verdade era o filme que esperava menos e fui surpreendida. Talento do roteirista. Mas Wiplash é bem merecedor.

 

Melhor edição
Joel Cox e Gary D. Roach (“Sniper americano”)
Sandra Adair (“Boyhood”)
Barney Pilling (“O grande hotel Budapeste”)
William Goldenberg (“O jogo da imitação”)
Tom Cross (“Whiplash”)

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Cena de Boyhood. ©Reprodução.

Vocês vejam como são as coisas, o único mérito que vejo em Birdman está na sua edição, e ele sequer foi indicado. Parace que a ideia do take único (que não é real) não convenceu. Boyhood deve levar essa.


Melhor trilha sonora
Alexandre Desplat (“O grande hotel Budapeste”)
Alexandre Desplat (“O jogo da imitação”)
Hans Zimmer (“Interestelar”)
Gary Yershon (“Sr. Turner”)
Jóhann Jóhannsson (“A teoria de tudo”)

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=UDVtMYqUAyw]

Interestelar tem uma boa trilha, assim como Grande Hotel. O resto é água com áçúcar.

Bom, é isso. Há outras categorias, mas por absoluta falta de conhecimento não acho certo sequer apostar. Como sempre, são só pitacos, mais de quem gosta de cinema do que de quem entende de fato. É aquilo gente, Oscar é ver para se divertir.