ENTREVISTA – MARUSCKA GRASSANO

Maruscka Grassano, 28, é jornalista e a mais nova empreendedora da moda do pedaço. E de um pedaço do tamanho do mundo, bem entendido.

Proprietária da Peregrina, marca recheada de referências étnicas de diversas partes do globo, Maruscka teve a brilhante ideia de reunir elementos por onde passasse, em suas andanças por aí, e criar uma label que traduzisse esse espírito de liberdade, do viajante.

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Campanha Peregrina 2014 – Fotos por Tre Design e Fotografia

Quem é de Juiz de Fora provavelmente conhece essa moça. Não que ela tenha passado muito tempo por ali – apesar de ser juiz-forana, morou até os 16 em Bicas, onde vive a sua família. Mas seu alto-astral e o fato de ter sido uma das frentes do jornalismo do Zine Cultural, renderam a ela certa “notoriedade” na cidade.

Atualmente em Jaipur, também conhecida como Pinky City, na Índia, Maruscka conta sobre como tudo começou com a Peregrina, como funciona, sobre o perfil da cliente e planos para o futuro. E claro, um dos seus “causos” impagáveis, com muito, muito bom humor.

Por ela mesma:

Quando e como surgiu a Peregrina

“Logo nos meus primeiros meses na Índia, por volta de abril deste ano. Quando cheguei, fui recebida por um amigo que fiz na Colômbia, que também estava em intercâmbio, mas acabou largando o trabalho pra abrir uma loja de produtos indianos no país dele.

Esperando ele fazer suas transações com um fornecedor, me sentei em uma espécie de restaurante numa movimentada área de comércio em Délhi. Foi quando um cara super estiloso (bem hiponga) dividiu a mesa comigo. Na minha mania de puxar papo com desconhecidos, acabei descobrindo que esse austríaco vivia viajando: comprava mercadoria em um país e vendia no outro.

Achei aquilo fantástico, foi quando surgiu a ideia de criar uma marca que me permitisse buscar coisas novas e conhecer diferentes países e culturas e oferecer isso para as pessoas do meu país, a partir da minha cidade.”

Nômade Digital

Começamos a expor nossos produtos e fazer contato com os primeiros clientes através das redes sociais (FB e IG) e email, enquanto o site não entra no ar. A maioria das nossas vendas ainda é presencial (através de representantes em Juiz de Fora), mas já recebemos várias encomendas online também.

Mesmo que a Peregrina e projetos paralelos me proporcionem mobilidade, ainda dependo financeiramente daquela forma tradicional de trabalho (que faz com que a gente fique no escritório mesmo sem demanda). Essa parte eu faço por dinheiro, a Peregrina é a parte boa, do amor e do prazer.

Quero a mesma coisa para os meus colaboradores, liberdade pra acordar meio dia numa segunda-feira sem demanda e responsabilidade se for preciso colocar a mão na massa num domingo de manhã.

Curadoria

Logo que uma peça me chama atenção, penso se ela cabe na proposta da Peregrina (de ter a pegada étnica, com traços do país do qual estou comprando). Depois tenho que imaginar se as pessoas usariam aquilo no Brasil.

Nunca fui muito consumista e, por incrível que pareça, não compro quase nada aqui pra mim (e a oferta de coisas maneiríssimas é grande, viu), mas acabei ficando com peças que, na empolgação, comprei pra vender e depois vi que não tinha nada a ver com a proposta da marca.

Nunca fui ligada à moda, então é tudo muito novo pra mim. Considero essa fase de experimentação – e tem dado certo.

Cliente Peregrina

A cliente Peregrina adora uma peça diferente, daquele tipo que quando usar, todo mundo vai perguntar onde comprou.

É aquela que prefere garimpar uma peça baratinha mas diferente, do que comprar uma bolsa que todo mundo tem e é olho da cara, só porque tem um selo estampado.   

Na minha época de colégio, era um desfile de bolsas Victor Hugo. Eu achava tão feias e não entendia porque todo mundo queria andar igual. Já bastava o uniforme da escola.

Casos de Maruscka

Aconteceu durante uma viagem que fiz pro norte da Índia, onde comprei muuuuuitas coisas para mandar pro Brasil, com outra brasileira e uma polonesa, mochilão perrengão mesmo.

Na volta pra Jaipur, em um dos 300 mil ônibus-espelunca que encaramos havia um casal indiano super jovem (ela 18, ele 22 – sei porque pergunto tudo mesmo, rs) com um bebezinho.

Eles só falavam hindi e eu só inglês, mas entendi pelos gestos que eles queriam que eu segurasse o neném por um instante. O ônibus parou e eles foram saindo. Eu, com o bebê no colo, olhei pra Júlia e falei: imagina se eles vão embora e deixam esse bebê comigo? Ela, que ainda nem tinha visto falou meio desesperada “meu, que bebê é esse? Eles tão indo embora!”.

Eu olhava pra ela, pro casal, pra ela, pro casal (que a essa altura já estava fora do ônibus) e a Júlia: “faz alguma coisa, meu!”. Comecei a gritar: “motorista, para, para! To com o bebê deles”. Com o ônibus inteiro me olhando, descobri que eles só estavam indo buscar umas ‘mudanças’…

Próximo passo

Até agora, só temos peças indianas e tibetanas (da cidade de Dharamsala, conhecida como Little Tibet, onde vive o Dalai Lama no exílio e uma imensa comunidade tibetana).

Estou me programando para encontrar peças bacanas em outros países da Ásia, como a Thailandia, o Camboja e o Vietnã, por exemplo.

Ano que vem, volto para o Brasil, quando pretendo estar mais estruturada para atender o país inteiro.  Para 2015, tem a África e a América Latina na minha mira 😉

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Nós também estamos com a Peregrina na mira, claro 🙂

Para conhecer mais sobre o universo da marca:

https://www.facebook.com/EuSouPeregrina?fref=ts

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