F. INDICA – LIVROS

Publicado originalmente pela Revista F. Cultura de Moda #9 – edição Tempestade e Ímpeto.

Por Danielle Magno

Ah, o mal do século! O movimento romântico encontrava a sua maior expressão na ideia de contaminação do amor e da vida errante. Os versos de Lord Byron, o amor dilacerante do herói de Goethe – o jovem Werther, Álvares de Azevedo e a “Lira dos 20 anos”, com a nostalgia do passado de quem ainda mal começou a viver.

O sentimento de “viver rápido, morrer jovem” começou naquela primeira geração romântica e influencia, até hoje, a estética de escritores e artistas.

A novela gótica, no mesmo contexto da geração romântica, mas com elementos sombrios e lúgubres, também bebia na fonte de dramas intermináveis, dor profunda, peso do mundo e inadequação constante. Com a diferença de que a primeira geração buscava o bucolismo, o encontro sagrado com a natureza. Já a literatura gótica, o terror, a desarmonia e o sobrenatural.

Não se acanhe, leitor. O drama sempre existiu, mas nos velhos, bons e certeiros clássicos, eles são bem mais intensos. Não tenha medo de mergulhar nisso, tem dor em estado bruto, muito sentimento, mas jamais sentimentalismo barato. Ah, e um mistério bom daqueles. Aqui, algumas dicas de livros que vão fazer entender porque sofrer pode ser bom demais.

Os Sofrimentos do Jovem Werther – Goethe (L&PM Pocket, 2006) – Se tem uma coisa que os românticos prezam não é a consumação do amor em si, mas toda a carga de ressentimentos que a rejeição ou o impedimento podem causar. O pobre Werther amou, sofreu, pereceu e escreveu longas cartas a um amigo para falar do seu infortúnio com Charlotte. A obra causou tanta comoção que uma onda de suicídio foi registrada na época do lançamento. Influenciou grandes nomes da literatura, como Oscar Wilde. Essa edição é comentada, um achado.

Poemas – Lord Byron (Hedra Editora, 2008) – O poeta que mais influenciou o romantismo brasileiro – se existe a expressão “mal do século”, é por conta dele. Neste livro, estão reunidos alguns de seus melhores poemas, com uma introdução que contextualiza a época e os eventos.

Lira dos Vinte Anos e Noites na Taverna – Álvares de Azevedo (L&PM Pocket) – O nosso maior poeta romântico. Viveu e morreu exatamente como nos seus contos e poesias: jovem (tinha apenas 20), tuberculoso e irremediavelmente apaixonado. Destaco o poema “Lembranças de Morrer”, épico!

Frankenstein Mary Shelley (L&PM Pocket) – Sim, a história do monstro que se volta contra seu criador. Terror e drama com peso filosófico, porque a senhora Shelley gosta e sabe conduzir. Ganhou até uma versão mais do que fiel, de Kenneth Branagh, no cinema.

O Gato Preto e outros contos – Edgar Allan Poe (Hedra editora, 2008) – A culpa sendo levada às raias do desespero. Terror e mistério dos bons. Nem adianta tentar ler aos poucos, não vai conseguir parar.

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