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Publicado originalmente pela Revista F. Cultura de Moda #10 – edição Tempestade e Ímpeto.

Apostas da F. Cultura de Moda para a nova geração de criadores. Por Dani Sartori.

Jacqueline Oliveira, 29, se envolveu na moda por curiosos caminhos. Primeiro, para divergir da mãe, que teimava em fazer suas saias mais compridas do que ela desejava. Depois, para participar, devidamente caracterizada, dos jogos de RPG. Com formação em Letras e Metalurgia, cedeu aos impulsos criativos no Curso de Design de Moda, da Universidade Estácio de Sá.

Jacqueline Oliveira. (c) Amanda Coutinho.

Já no início, a estilista começou a construir um trabalho que iria se materializar na paixão pelos corsets. Apaixonada por figurinos de época, se interessou pelas formas das mulheres de cintura marcada. Com interesses variados, Jacqueline conseguiu unir, de maneira instintiva, todas as áreas que já havia estudado.

Segundo a criadora, todo seu trabalho carrega uma história. Ela é modelista e confecciona cada uma das peças construídas de maneira minuciosa – o que chega a exigir de seis a sete horas de trabalho e um revestimento mínimo de três camadas de tecido. O conhecimento em metalurgia ajudou, na época de suas pesquisas, na elaboração dos corsets que possuem barbatanas rígidas e fechamento de aço, conhecido como busk.

A produção mensal da grife homônima chega a vinte peças e é toda feita especialmente para cada cliente, uma vez que o corset deve ser elaborado a partir de medidas exatas, principalmente para aquelas que, assim como Jacqueline, praticam o Tight Lacing – na tradução literal, seria Laço Apertado. A prática consiste em usar o corset com o intuito de afinar a cintura. Vale ressaltar que o hábito de usar a peça por oito horas diárias lhe rendeu menos 10 cm de cintura. Ela explica que as praticantes do Tight Lacing, geralmente, encomendam o corset com 15 cm a menos do diâmetro da cintura, para ir ajustando as amarrações ao longo do tempo. Quando o corset fecha, é hora de pensar em adquirir um novo.

Para quem se assustou ou não vê graça nisso, a estilista avisa que esta não é uma regra para obter suas criações. “Crio para um público variado e, ao contrário do que muita gente pensa, desenho para todos os tipos de corpo. Já tive uma cliente com 135 cm de cintura, não existe limitação para o uso do corset.”

Em comum com Jacqueline, Weruska Fonseca, 40, possui a determinação e a perseverança de criar e bordar, pessoalmente, peça por peça. Amante do handmade e do mix artesanal de tecidos e bordados, a estilista formada pelo Curso de Tecnologia em Design de Moda, no Centro de Ensino Superior, encontrou na moda uma forma de canalizar seu interesse pela gastronomia. Apaixonada pelo refinamento da culinária japonesa, enxergou na disciplina de moda uma forma de exercitar o gosto pela complexidade. Já no primeiro período, sentiu que havia feito a escolha certa.

WERUSCKA-(c)-Amanda-Coutinho

Weruska Fonseca. (c) Amanda Coutinho.

Avessa à velocidade do fast fashion, que pode criar situações de ter duas ou mais pessoas usando a mesma roupa em um evento, Weruska começou a idealizar vestidos de festa para ela e para as filhas de quatorze e dezesseis anos, que tinham dificuldade de encontrar roupas apropriadas para a suas idades e estilos.

A designer confessa que suas criações carregam elementos do seu próprio repertório, mas procura sempre ter em mente algum traço singular da cliente que possa ser evidenciado. Com um processo de inspiração vivo, as roupas vão surgindo ao longo do processo criativo. O nome Raízes, segundo ela, é para quem deseja ter asas, mas também raízes.

“Procuro dar um toque artístico em cada um dos vestidos, e isso vai desde o cuidado em escutar o desejo de minhas consumidoras até a escolha dos materiais. Opto por trabalhar com matéria prima nobre, como as rendas de algodão, não facilmente encontradas no mercado de tecidos de Juiz de Fora, geralmente compradas no Rio de Janeiro e São Paulo, e o tule de elastano, que é perfeito no caimento e facilita na adaptação do manequim.”

Raízes-(c)-Divulgação

Atualmente, Weruska mantém um ateliê na própria residência, onde desenha e cria. À medida que suas criações vão sendo confeccionadas, elas são repassadas para os lojistas. As roupas devem carregar um pouco de emoção, história e verdade. “Vestir uma roupa com a certeza de estar diferente faz com que a mulher se sinta envaidecida e poderosa”, filosofa a designer.

Estudante de terceiro período já é destaque. Por Daniel Varotto.

Também no curso de Tecnologia em Design de Moda no CES-JF, Bruno Vargas exibe maxi acessórios inspirados nos santos guerreiros do império bizantino. “A densidade e o aspecto gótico foi algo intencionalmente inserido na coleção”, comenta Bruno, “eu precisava criar uma interseção entre o trabalho e a estética que no momento eu estava focado.”

Bruno-Vargas-(c)-Amanda-Coutinho

Gabriel Gaigue usa acessórios Bruno Vargas. Styling de Yan Queiroz. (c) Amanda Coutinho.

Mineiro natural de São João Nepomuceno, 27 anos, Bruno diz que sua maior fonte de conhecimento vem dos onze anos em que trabalhou com o mercado de moda em geral, passando por vários setores da indústria têxtil e também em escritórios de desenvolvimento de produto. “Tive a oportunidade de conhecer e aprender com pessoas que tinham uma vasta experiência nestas areas.”, completa.

“Trabalhar com moda é trabalhar com a visão de que tudo que já foi feito ainda pode ser visto com frescor.”, explica o estilista, quando pergunto sobre suas referências.

Atualmente ele trabalha como diretor criativo de uma marca de acessórios, há dois anos. E pretende, em breve, expor seu trabalho e vendê-lo, “mas ainda preciso estudar como. O mercado, desde o ano de 2011 teve uma vasta expansão, a onda dos maxi acessórios ainda esta colaborando com isto. Já o mercado de acessórios masculinos é um território novo”, e bem como qualquer produto de moda destinada a esse público, esclarece. “Os homens estão em processo de conhecimento da moda”.

Concluindo o curso, Bruno pretende lançar uma pequena coleção para o lançamento de sua marca. O público será masculino com peças básicas como t-shirts e denim, “tudo com muito cuidado e personalidade”, afirma. Dos projetos atuais, o estilista realiza uma pesquisa para seu novo trabalho: o futurismo retrô 60, e na empresa onde trabalha desenvolve a coleção de verão 2013/2014.

Serviço
Jacqueline Oliveira Corset
jacquelineoliveiraco.wix.com/jacqueoliveiracorset
Contato: 32 84515923
Raízes
raizeshighfashion.com.br
Contato: 32 8403-6364
Bruno Vargas
http://vargasbrand.tumblr.com/
Contato: 32 9912-2376
 
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