F. INDICA – CINEMA

Originalmente publicado pela Revista F. Cultura de Moda #9 – edição Tempestade e Ímpeto.

Por Danielle Magno

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Scarlett Johansson como Janet Leigh e Anthony Hopkins como Alfred Hitchcock no set de HITCHCOCK. (c) Suzanne Tenner.

A estética noir no cinema americano ganhou forma nos filmes policiais. Sombras, contraste preto e branco, tons de cinza, ambientes lúgubres, dramas perversos, tramas intricadas e assassinatos de todos os tipos. Os personagens eram farrapos humanos, condicionados a vícios e fraquezas, e também heróis, com motivações e condutas ambíguas.

Alfred Hitchcock, que dispensa apresentações, foi o papa desta fase na América. Além disso, aprofundou nuances, técnica e personagens. Pode-se dizer que ele foi um híbrido do noir com o terror aliado ao suspense. Mas como Hitch trabalhava?

Saber como o mestre do suspense realizou a sua maior obra, “Psicose” (1960) é o mote da trama dirigida por Sasha Gervais, “Hitchcock (2012), que estreou por aqui em março e conta comAnthony Hopkins, Helen Mirren, Scarlett Johannson e Jessica Biel no elenco. Hopkins foi bastante elogiado por sua atuação – parte da caracterização contava com o uso de uma prótese de queixo e nariz, além de ter engordado bastante.

Em sua época, “Psicose” enfrentou a rejeição dos estúdios e Hitch pegou dinheiro do próprio bolso para realizá-lo. Os bastidores do processo do desacreditado (pois é) longa, a relação com a sua esposa Alma – que o compreendia completamente – e a recepção da sociedade americana são abordados em “Hitchcock”.

Já “The Girl” (2012) é muito mais duro com Hitch. O filme foi feito para TV e exibido pela HBO. Também se passa nos bastidores, mas, dessa vez, do filme Os Pássaros” (1963). Não mostra o processo criativo em si, mas a conturbada relação do diretor com sua protagonista, Tippi Hedren, interpretada por Sienna Miller. Hitch era obcecado pela atriz e transformou a vida da moça num inferno, a ponto de ela romper contrato e se recusar a fazer outro filme com ele. Parece que a famosa frase do diretor foi seguida à risca: “as loiras são as melhores vítimas”.

Para continuar com a pegada noir, dois lançamentos deste ano que vale conferir. O primeiro é “Caça aos Gângsteres” (2012), com Ryan Gosling e Sean Penn, que estreou em fevereiro. Os mais caros elementos do noir estão lá. Já acusam o filme, inclusive, de ser terrivelmente clichê. Ou seria uma homenagem? Mas quem, em sã consciência, vai resistir a Gosling numa nova dobradinha com Emma Stone de femme fatale? Goslin de trench coat atrás de bandidos é um deleite.

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O outro lançamento previsto para outubro nos Estados Unidos é a sequência de “Sin City” – “A Dama Fatal” (2013), com um elenco de encher os olhos: Eva Green, Joseph Gordon-Levitt, Bruce Willis e Jessica Alba. Baseado nos quadrinhos de Frank Miller – que codirige com Robert Rodriguez –, o filme já é uma transposição noir do universo do seu criador. A história é extremamente violenta, clamando por vingança, com muito sangue e, é claro, bem sombria. Começa onde parou o primeiro filme. Não será apenas uma história, assim como o anterior, e também não será linear. Os fãs de “Sin City” já não aguentavam mais a espera.

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Leia a coluna F. Indica – Cinema diagramada na Revista F. Cultura de Moda acessando o link: www.fworksprodutora.com.br/f9

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