DANDY – ELEGÂNCIA, ATITUDE E UM TERNO BEM CORTADO.

(c)Amanda Coutinho

Publicado originalmente pela Revista F. Cultura de Moda – edição Tempestade e Ímpeto.

Por Dani Sartori

A definição no dicionário da língua portuguesa não deixa dúvidas: esteta é a pessoa que cultiva a estética ou pessoa que forma da arte uma concepção elevada. Para entender o sentido do dandy, acrescente a esta descrição uma vontade de falar através da aparência.

O movimento, que começou na Inglaterra no século XIX e tinha como base a filosofia hedonista, teve como importantes representantes Lord George Bryan Brummel, conhecido como “Beau Brummel” (belo Brummel), e Lord Byron. Em comum no estilo de ambos, a elegância exaltada por um caráter excêntrico e provocador.

E é no culto ao prazer e na possibilidade de se expressar através da imagem que o movimento dandy encontra um terreno fértil e crescente na sociedade atual. Os tempos são outros e a forma de se expressar, também. Numa analogia um tanto arriscada, sai Dorian Gray de Oscar Wilde para dar espaço à persona pop de Ziggy Stardust, idealizada por David Bowie.

As colagens de diferentes estilos que definem a moda atualmente são capazes de encaixar os mesmos recortes em figuras tão distintas que vão de Tom Ford a Jay-Z. Os deuses que eles cultuam são os mesmos, mas a forma de se expressar através da vestimenta é que muda.

A melhor forma de “visualizar” este estilo não está nas páginas de revista. Ele está nas ruas, atuando, muitas vezes, como bandeira de um lifestyle que preza o belo. Este dandy pode ser sóbrio e, ao mesmo tempo, moderno, encarnado na figura de Pharell Williams, ou refinado e cosmopolita, como Justin Timberlake.

Que fique claro, ser dandy no século XXI é, antes de mais nada, um estado de espírito. O famoso blogueiro Scott Schuman capturou bem este zeitgeist ao reunir, na cidade italiana de Florença, os vinte e cinco homens mais icônicos já retratados no seu famoso blog The Sartorialist. Dentre uma esmagadora maioria de dandys anônimos, estavam personalidades como John Malkovich e Kanye West.

Schuman produziu, a partir deste encontro, um filme de três minutos que nos passa uma mensagem bem clara de que não basta se vestir impecavelmente, é preciso ser elegante perante a vida e com os outros. A roupa já não atua somente como uma moldura, ela carrega em si o desejo de uma atitude a mais que expresse aquilo que você é por dentro.

O exército dos neo-dandys já não faz poesia como antigamente. A linguagem mudou, mas sua filosofia burguesa segue intacta na ideia de bem viver e nas roupas impecáveis – que o digam os festivos clipes do cantor Mayer Hawthorne, sempre com seus ternos bem cortados e endossados com um charme quase cínico. Seguindo a mesma linha de um deboche elegante, nos deparamos com Timberlake cantando a música intitulada “Suit & Tie”, com figurino de Tom Ford e participação de Jay-Z.

Com tantas nuances, não é de se estranhar que a vaidade dandy tenha também flertado com o guarda roupa feminino. Numa subversão onde o feminino não tem receio de ser masculino, Karl Lagerfeld criou, para o outono inverno 2012/2013 da Chanel, uma coleção com peças que poderiam ter saído do armário de Lord Byron. Parece que a motivação do Kaiser foi mesmo a famosa frase de Wilde: “A melhor maneira de se resistir a uma tentação é ceder”.

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Leia a matéria na revista F. acessando o link: http://www.fworksprodutora.com.br/f9