A VOZ DA COLEÇÃO

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Day After, Jade Concept/Luz da Lua, Arpel e Manu Peron na Mostra de Inverno 2012.

Parte essencial de um desfile, uma trilha sonora bem pensada ajuda a contar a história de cada criação de moda. 

Por Jota Jota, publicado pela revista DF #6 – Choque de Criatividade – maio/2012. 

Desde que a alta costura inventou o desfile de moda para exibir suas criações aos compradores, lá pelos idos de 1800, surgiu uma das demandas mais importantes na produção do evento: a trilha sonora.

Tão essencial quanto a água que bebemos e que hidrata o nosso corpo, a música no mundo da moda exerce um papel catalizador – seja na trilha sonora de um desfile, num set fotográfico de um editorial de moda, de campanha publicitária ou num meeting de negócios. É a música que cria uma atmosfera única, para somar conceitos idealizados pelo criador e ajudar a expressar o que foi pensado conceitualmente, em termos de moda. A música é a voz da coleção.

Mesmo a trilha que não tem emissão de instrumentos musicais acústicos e vocais, é demarcada por uma musicalidade e pode ser constituída até mesmo pelos passos das modelos, por exemplo. Devemos pensar em música de uma forma mais ampla, como sons. Todo e qualquer som emitido pode servir como “cenário” sensorial para um desfile. Aí entra a criatividade de quem confecciona a trilha.

Por esse motivo, elas devem ser criadas por músicos ou DJs, para evocarem o ideal de estética e conceito de cada coleção, com uma concepção acústica adequada, para acompanhar peça a peça, na passarela.

Na era moderna, vimos artistas como David Bowie, Madonna, Björk, Fisherspooner e Lady Gaga, dentre tantos outros, lançarem mão de uma cumplicidade com a moda para criar um envolvimento que confunde as suas próprias formas de vestir e agir – adquirindo assim, status de árbitros de estilo, que transitam tanto na moda, quanto na música, tornando-se ícones.

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Assim, desfile que se preza dedica o mesmo cuidado e pesquisa dispensado ao styling, também à confecção da sua trilha sonora. Ela pode (e deve!) ser usada para realçar moods, imprimir personalidade e causar sensações que, juntamente com a beleza das roupas – quando essa síntese acontece de forma perfeita -, são capazes de despertar nos consumidores aquele ávido desejo de adquirir certa peça ou estilo, transformando roupas em objetos de sonho.

E essa não é a razão de todo show?!