IRIS VAN HERPEN E A ALTA COSTURA

– Performance com a bobina de Tesla, no desfile de Iris Van Herpen. 

Não tenho dúvidas de que, como afirmou Suzy Menkes no The New York Times, a alta-costura esteja vivendo novos tempos, onde a valorização do aspecto funcional da roupa, aliado à beleza da criatividade dos designers – além do sempre presente savoir-faire dos ateliês parisienses – produza peças mais desejáveis, mais reais e fáceis de agradar. A atual coleção de Raf Simons para a haute couture da Dior – em contraste às assinadas por Galliano -, representa bem esse momento. Em outros casos, como o da estilista Bouchra Jarrar, talvez a coisa tenha simplificado ao extremo e a ousadia criativa tenha feito falta à coleção. 

A atenção das maisons parece estar concentrada em premiações como os Oscars, quando as atrizes produzem verdadeiro foco às criações da alta-costura. Os olhares das editoras e críticas de moda, além das stylists das celebridades, estão atentos para começar, em breve, o banco de apostas: quem vai vestir o quê na festa do cinema.

Seguramente há quem não se preocupe com isso. Por favor, reparem nessas peças:

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A coleção em questão chama-se VOLTAGE e desfilou ontem, dia 22/1, como parte do calendário da alta-costura de Paris. A assinatura  é de Iris Van Herpen, designer holandesa que combina técnicas finíssimas de trabalhos manuais e tecnologia digital futurista.

Trabalho artesanal e inovação técnica e material. Algo que a moda do século XXI precisa lançar mão com mais frequência. Escolha mais do que acertada, da Chambre Syndical de la Haute Couture, o convite para a moça fazer parte desse restrito grupo.

“Não é esquisito?” “Quem usaria?” “Isso é moda?” – são apenas algumas perguntas que podem vir à mente de quem está acostumado a classificar como alta costura apenas os vestidos de Christian Dior ou Cristóbal Balenciaga – e quando ainda eram vivos! Mas o mundo andou e me agrada a ideia de que a fluidez de nosso tempo tenha deixado certas entidades e instituições um pouco mais flexíveis para absorver novos pensamentos.

No caso de Iris, dos mais complexos.